terça-feira, 7 de janeiro de 2014

quando álvaro chama meu nome

Ele chama, de vez em quando. Cada vez menos... Cada vez mais difícil de ouvir.

Numa inquietude, arrastada ou galopante, a certeza é apenas aquela de que Alvaro repete para mim que certamente falta-me apoio na inteligência, e ainda que todas as horas pareçam minhas, elas nunca serão. Há dias com 1440 horas. Há dias com 24 minutos.

Entre conduções imprudente numa rodovia expressa, finais de semana de silêncio e sossego, uma divagação e outra, uma indiferença aqui, uma contingência alí, um compromisso perdido, um convite declinado, Álvaro chama, mas sentir tudo de todas as maneiras, viver tudo de todos os lados, às vezes cansa. Álvaro grita, e eu tapo os ouvidos, encolhida no canto do quarto.

Talvez um dia Álvaro desista.

Referência: A Passagem das Horas