quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

ritos de passagem

Às vezes eles são necessários.
Às vezes não.

Fiquei aqui, de pijama, enquanto todo mundo se veste branco, se abraça e faz todas aquelas coisas, de todo ano. Não gosto desses balanços, mas coincidentemente, estou passando por um período de mudanças e reflexões. Não abri nem uma cerveja para celebrar. Prioridades.

A sensação é de que está tudo bem, calmo, e certo. Como um minuto submersa de olhos fechados numa piscina. Até quieto demais. 

21.01.16 está chegando. Me importa mais que o dia primeiro.

sábado, 31 de outubro de 2015

time has come

Às vezes é preciso sair da zona de conforto. 
Depois de uma manhã particularmente difícil, exaustiva, tirei todos aqueles papéis da gaveta. Chega de procrastinar.

É das coisas que matam, não das que fortalecem... e das coisas que eu poderia ter resolvido anos atrás, mas não. Certas coisas são difíceis, mas por mais convidativa que a inércia me seja, ela me intoxica e rouba, em todas as dificuldades cotidianas e esporádicas, nas frustrações acumuladas e em todo esse desânimo generalizado e crescente.

Houveram coisas mais complicadas, dias mais difíceis, e certamente já tive uma cabeça mais mórbida e infeliz. Talvez seja hora de equilibrar as coisas, todas elas. Minha mente (finalmente) sã não se sente confortável com todas essas limitações.

Uma hora a gente cansa. 
Até de estar cansado...

domingo, 2 de agosto de 2015

quando já deu

"There's nothing left in this place but a reason to leave"

É difícil romper barreiras, vícios, hábitos, preconceitos, e, principalmente, vínculos tóxicos. Ainda assim, nada precisa ser tão dramático quanto uma música de Damien Rice, ou talvez seja apenas essa minha recente e assustadora frieza e distanciamento falando. 

Todo mundo tem um limite, e como uma mola desgastada, talvez eu só esteja menos elástica, paciente, tolerante, e disposta aos outros. Não tenho motivos ou disposição para abraçar causas perdidas.

Eventualmente, a paciência acaba. Amigos devem ser compreensivos e dispostos, mas há limites, bem claros, que indicam que não há o que se fazer, apenas abandonar o barco.

Rupturas são sempre problemáticas, eventualmente até tristes, mas quando o único sentimento além da fadiga é o alívio, tudo que se pode fazer é trancar a porta e ir embora com a sensação de dever cumprido.

sexta-feira, 27 de março de 2015

zarathustra

Nieztsche dizia que de certas alturas da alma, mesmo a tragédia deixa de ser trágica. Como geralmente, ele tem razão.

Mais que qualquer guru ou livro de auto-ajuda, Nietzsche e seus aforismos me ajudaram a viver e sobreviver por quase duas décadas, desde que o descobri, num pocket book esquecido num canto de uma livraria. Talvez eu seja uma corda esticada sobre um abismo. Só não sei o que há de cada lado.

Comprei um violão, de novo, e percebi que estou finalmente voltando a ser... eu.

Aí voltei ao Nietzsche: torna-te quem tu és.
Estranho como é fácil andar distraído por aí e perder a trilha para si mesmo. É também verdade que aquilo que não te mata, te faz mais forte. Num certo momento, somos compelidos a voltar.