segunda-feira, 8 de setembro de 2014

chasing waterfalls

É fácil ficar perdido.
Lembro de ficar embaixo de uma cachoeira gelada no outono quando criança. Não era confortável,então fechei os olhos, e por alguma razão obscura, continuei lá.  A sensação era a mesma desde então.

Parcialmente ouvindo um certo balburdio ao longe, mas principalmente aquela forte queda sobre minha cabeça, num som que não fazia sentido, não formava palavra, mas de certa forma, se comunicava e dizia "fique aqui". Era frio, desconfortável, angustiante, e contraditório. Era calmo e ruidoso, solitário, pesado. Talvez se eu gritasse, ninguém ouviria. Uma similaridade assombrosa com tudo do lado de fora, mas ali, aquele momento, aquele espaço, era meu.E eu poderia ficar ali, talvez dormir, ler um livro, fechar os olhos e ignorar o mundo.

Eventualmente eu precisaria sair da água gelada. Enfrentar o mundo, as pessoas, a algazarra, a vida.Eu só não sabia bem como, e aquela queda sobre minha cabeça, o peso sobre meus ombros, e aquele barulho alto parecia também acompanhado de um murmúrio: "Fique. Lá não há nada para você".... E lá fiquei, por tempo demais, hesitante, pensativa, de olhos fechados.